domingo, 24 de abril de 2011

Footballbox

Alguém teria de ser o primeiro a “errar”, não me importo de o ser. Escreva o que escrever, posso posteriormente refugiar-me na ambiguidade para proteger-me.

A forma como encaramos o “treino” e o “jogo” condiciona (positiva ou negativamente) a forma como o delineamos. Certamente que falamos em especificidade, mas a especificidade de um (uns), não é a especificidade dos demais (como o próprio nome indica).

Partimos sempre da competição, da performance, a performance de palco, “the staged performance”, aquela que muitas vezes não consegue ser quantificada, sendo a mesma uma experiência estética; o treino, que encaramos como um espaço de aprendizagem, onde as sequências de momentos em que promovemos, alternamos, progredimos determinados comportamentos, para a construção de um “jogar”.

A articulação, Unidade Competitiva (UC) <–> Unidade Treino (UT) deverá ser tão íntima, como as articulações entre as quatro supra dimensões ou os quatro momentos. Daí que os três pressupostos que a Rita propôs estejam (inter)ligados.

Falamos da «inteireza inquebrável do jogar», contudo, a compreensão das “partes” será fundamental para a compreensão do “todo”. Daí que a “estrutura” do(s) exercício(s), deverá promover, alternar e progredir determinados comportamentos (inúmeras interpretações dos princípios). Porque os princípios, são isso mesmo, princípios, não são fins. Daí que estão sempre sujeitos a interpretações, e o poder de um princípio é esse mesmo, não ser um fim. Podendo ser recreado a cada instante; pode ser pintado, de milhares de formas. A imprevisibilidade da previsibilidade.

Os aspectos funcionais, mais uma vez (inevitavelmente), aproximam-nos da dinâmica que a UC sujeitar-nos-á. (Há o treinador autista, aquele que treina descontextualizado. Abordarei essa temática no final). A funcionalidade terá uma lógica biológica. Um exercício utópico é aquele que por si, consegue um feedback positivo e negativo consoante as próprias (que como o exercício é, nosso, também são as nossas) necessidades. Quando queremos determinado comportamento, o acontecimento do mesmo a primeira vez, despoletará dezenas de respostas em concordância com o nosso objectivo (aparecimento desse comportamento). O inverso também é ideal, ao primeiro acontecimento de determinado comportamento que nós, não queremos, o próprio exercício impede que ele se repita.