A "nova" tecnologia introduzida pela Apple no novo iPhone4S, é bastante curiosa. Basicamente eleva a nossa relação com o aparelho, para um outro nível, de interacção.
A questão curiosa, que me leva a reflectir, é sobre a dimensão Macro e sua influência mundial. Porque é que isto é interessante?
O novo paradigma de futebol, esta Guardiolização da ideia de jogo...leva-nos para um interessante...contexto. Há quantos anos, não ouvíamos, que, "o Arsenal passe muito a bola, e esquece a baliza", "em vez de ir para a baliza andam ali a passar a bola". Não estou interessado minimamente em comparar o Arsenal com o Barcelona, porque isso é o mesmo que estar num café as 18:15 e ouvir comparar os pontas de lança dos clubes com maior visibilidade do país.
A questão, é que gostar do Arsenal e da sua forma de jogar, era quase como uma contra-cultura. O mesmo nos lembramos de acontecer com o Barcelona de Guardiola. Porém a sua complexidade é tal, que os levou a ganhar...recorrentemente. Tornando-se num paradigma...que ninguém ousa criticar (apenas alguns ignorantes).
Aquilo que traz o SIRI a esta discussão, é a sua extensibilidade Macro. O SIRI é basicamente um melhor amigo, que vive...no telefone. Prime-se um botão, e pergunta-se o tempo em Buenos Aires, e o telefona responde.
Porém, para tornar esta função..."real", a empresa que desenvolveu o software (antes da Apple a comprar), criou um "ser", em que o sexo era neutro, mas que teria uma certa atitude. A algumas perguntas, o mesmo responde com ironia e perspicácia.
Tudo bem. É um detalhe. Porém quando uma (agora) Mainstream como a Apple, compra uma pequena empresa, tem de pensar como ligar (fazer interagir); o que adquiriu, com o seu contexto actual, o projecto, e o caminho que querem tomar.
Numa reunião de administração, decidiram que esse "ser" manteria essas características. Então, no novo iPhone 4S, temos um conjunto de códigos que nos respondem...como um ser com personalidade.
Porque é que isto é perigoso? Como falamos de uma cultura Glocal, algo tão "pequenino" como isto, pode ter efeitos devastantes. Das duas uma, ou haverá pessoas que se sentirão insultadas com as respostas irónicas do "ser", e entrarão em conflito com algo que adquiriram, para os "servir"; ou...Guardiolamente, criará uma cultura global.
Crianças que usarão esta função, vão adquirir certas respostas que o "ser" lhes dará, vão-se tornar frases feitas, um conhecimento mundial. O mundo é cada vez mais pequeno, mas cada vez mais perdemos o sentido de Cultura. Porque a Cultura é algo...culturalmente específico.
Para além daquilo que observamos-sentimos como (des)treinadores no Jogar do Barcelona...temos de nos interrogar, sobre a cultura mundial que aquele jogar criou. Nesse sentido, penso que supera a Dream Team, também porque a informação circula de outra forma.
Utilizando a problemática do SIRI, não será que a Top, quando um treinador reflecte sobre o Modelo, não deverá ter em consideração a Cultura e o Contexto...Global. Mourinho é rei dos contextos e culturas locais, absolutamente adorado (até chegar ao Real Madrid) pelos adeptos do próprio clube não só pelas quisílias, mas pelos jogares que cria. O FCPorto, Chelsea e Inter de Mourinho, vão ficar para a história como este Barcelona de Guardiola (independentemente do seu sucesso que este treinador tiver noutros clubes, quando mudar de contexto)?
Mourinho e as suas equipas, estão na esféra da eficiência-eficácia intocável, o Barcelona de Guardiola...no reino dos deuses.
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